É preciso transformar a referência política de Lula em organização popular!

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“É possível derrotar o neofascismo” – Foto: Mídia Ninja

Precisamos construir um grande movimento político na sociedade em torno da candidatura Lula

Por Paulo Henrique Lima

Belo Horizonte (MG) | Brasil de Fato MG |

Janeiro de 2022

As experiências recentes da América Latina, com as eleições ocorridas no Chile, Honduras e Bolívia, demonstram que é possível combinar forte mobilização popular com a luta institucional e derrotar o neofascismo. Estas vitórias eleitorais serão fundamentais para alterarmos a correlação de forças na região e retomarmos o ciclo de governos progressistas num patamar superior de enfrentamento ao neoliberalismo.

Em especial, a eleição de Luis Arce na Bolívia e Xiomara Castro em Honduras, trazem um outro aprendizado. O de que é possível, combinando mobilização de massas com a luta eleitoral, reverter os golpes jurídicos e parlamentares sofridos em nossos países. O que desautoriza a interpretação de que sofremos uma derrota histórica e que caberia a esquerda brasileira somente recuar ou preservar forças. Embora tenhamos sofrido uma derrota política e social com o golpe de 2016, e ainda nos encontremos num cenário de defensiva, é possível derrotar o neofascismo.

Ausência de organização popular de massas foi o que possibilitou o golpe 

Por isso, nosso principal desafio enquanto esquerda brasileira é transformar a referência política de Lula em organização popular de massas no Brasil. A ausência dessa organização popular de massas foi o fator decisivo que possibilitou o golpe e será fundamental para superá-lo num eventual governo Lula.

Neste sentido, precisamos construir um grande movimento político na sociedade em torno da candidatura Lula. Esse movimento político precisa dar conta de três tarefas fundamentais. Primeiro, dotar de caráter de mobilização popular a candidatura Lula. O que exigirá um grande esforço de organização e de educação popular, com a construção de comitês nos bairros, a formação de milhares de novas lideranças populares e a utilização da arte e da cultura como ferramentas de disputa de ideias na sociedade. Trata-se construir uma campanha de massas que envolva amplos contingentes da classe trabalhadora, intelectuais, artistas e estudantes em torno de um programa antineoliberal.

Segundo, construir um programa comum de enfrentamento ao neoliberalismo. As eleições de 2022, ocorrerão em um cenário de profunda crise social. Precisamos dar respostas concretas aos graves problemas enfrentados pelo povo brasileiro, em especial a fome e o desemprego. Estes problemas só serão resolvidos por meio da construção de um projeto nacional de desenvolvimento que possibilite a retomada da industrialização, a geração de milhões de empregos e uma profunda reforma tributária que desonere as classes trabalhadoras e tribute os ricos. Este programa deve ser a base de acumulação de forças para inserirmos as reformas estruturais que o Brasil tanto necessita.

 É preciso enfrentar os interesses dos monopólios e empresas transnacionais 

Terceiro, dar sustentação popular ao programa de mudanças num eventual governo Lula. Com o aprofundamento da crise internacional, as classes dominantes não permitirão a retomada de direitos sociais por parte da classe trabalhadora, e buscarão novamente desestabilizar um novo governo progressista. É fundamental construirmos desde a campanha a sustentação popular do governo e que pressione o Congresso Nacional para a aplicação de medidas que beneficiem a maioria da população.

Do ponto de vista institucional, é preciso fortalecer a unidade do campo democrático e popular através da construção de federações partidárias que respeitem a diversidade dos partidos de esquerda e que tenham como lastro um programa antineoliberal para o Brasil. Ao mesmo tempo, precisamos fortalecer e eleger candidaturas comprometidas com os movimentos populares, com a luta das mulheres, do movimento negro, do movimento LGBTQIA+, etc.

Esse processo deverá culminar com a construção de uma nova estratégia para a esquerda brasileira. Esta estratégia precisa enfrentar a questão do poder político, compreendendo que nos marcos de uma democracia liberal, a questão do poder se coloca por meio de uma revolução democrática e anti-imperialista que fortaleça a participação popular nos rumos da nação e ao mesmo tempo enfrente os interesses dos grandes monopólios e das empresas transnacionais.

Paulo Henrique Lima é historiador e integrante da direção nacional da Consulta Popular – Um Passo à Frente

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