Em Bruxelas, uma lição fundamental de Lula

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Em Bruxelas, uma lição fundamental de Lula

Por Paulo Moreira Leite

No histórico discurso ao parlamento europeu, nesta segunda-feira, 15 de novembro, data em que brasileiros e brasileiras comemoram a proclamação da República, Luiz Inácio Lula da Silva incluiu oito parágrafos que merecem uma reflexão.

Estou falando daqueles momentos em que, Lula se referiu a desigualdade estrutural entre povos e países, reafirmando a convicção de que aí se encontra a chave para um futuro saudável em todos os aspectos da vida humana, inclusive ambiental.

Quem não assistiu ao discurso de Lula nem pode se debruçar sobre estes trechos de seu pronunciamento, pode ler os parágrafos abaixo, que tratam dessa questão:

“A desigualdade entre ricos e pobres manifesta-se até mesmo nos esforços para a redução das mudanças climáticas. O 1 por cento mais rico da população do planeta vai ultrapassar em 30 vezes o limite necessário para evitar que um aumento da temperatura global ultrapasse a meta de 1,5 grau centígrado até 2030.

O 1 por cento mais rico, que corresponde a uma população menor que a da Alemanha, está a caminho de emitir 70 toneladas de gás carbônico per capita por ano.

Enquanto isso, os 50 por cento mais pobres do mundo emitirão, em média, apenas uma tonelada per capta por ano, segundo estudo produzido pela ONG Oxfam e apresentado recentemente na COP 26.

A luta pela preservação do meio ambiente para mim é indissociável da luta contra a pobreza e por um mundo menos desigual e mais justo.

É preciso deixar bem claro que o otimismo, a esperança e a fé não podem ser jamais sinônimos de resignação. Por conta disso, eu me considero um otimista indignado.

Em 2009, os países ricos se comprometeram em aumentar para 100 bilhões de dólares ao ano, a partir de 2020, a contrapartida para os países em desenvolvimento preservarem a natureza e enfrentarem as mudanças climáticas. Esse compromisso não foi cumprido, e agora está sendo postergado para mais dois anos, ou seja, a partir de 2023, a transferência de 100 bilhões ao ano para enfrentar a emergência climática.

Iniciativa louvável, que merece ser celebrada. Mas não podemos esquecer que na crise de 2008, os Estados Unidos destinaram 700 bilhões de dólares para salvar da falência bancos que de forma irresponsável investiram em títulos imobiliários podres.

Na mesma época, o G-20 destinou mais 1,1 trilhão de dólares aos países emergentes e ao comércio mundial, para combater os efeitos da crise.

É preciso lembrar também que os Estados Unidos gastaram 8 trilhões de dólares nas guerras pós-11 de setembro. Quantia suficiente para eliminar a fome no mundo e preparar o planeta para lidar melhor com as mudanças climáticas. E que no entanto foi usada para causar a morte direta de mais de 900 mil pessoas em países como Iraque, Afeganistão, Síria, Iêmen e Paquistão. Sem contar as mortes provocadas pela perda de água, esgoto e infraestrutura relacionadas com a guerra.

Ou seja, não faltam recursos para salvar bancos e para causar a morte ou o deslocamento forçado de milhões de seres humanos. Mas na hora de salvar vidas humanas ou o próprio planeta em que vivemos, a solidariedade dos países ricos é dezenas de vezes menor.”

Não há muito a acrescentar. Basta recordar a história recente das crises econômicas, que alimentam o atraso social e a reaparição de novas versões do velho fascismo.

A destruição da natureza é parte da história da degradação das sociedades humanas.

Alguma dúvida?

Paulo Moreira Leite, Jornalistas pela Democracia, Brasil247

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