Mas, afinal, quem ganhou o debate?

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Debate na Band (Foto: Reprodução)

Mas, afinal, quem ganhou o debate?

Por Gilbergues Santos Soares

Publicado por Brasil247 em 29 de agosto de 2022

Sobre a tal pergunta que nunca quer calar (“quem ganhou o debate da Band?”), diria que não sei quem ganhou, mas que sei bem quem perdeu e o quê perdeu. Jail Bozo saiu derrotado ao atacar a jornalista Vera Magalhães e a candidata Simone Tebet. Ao agredir essas mulheres, com toda misoginia e maldade que cabem dentro de si, Jail maltratou todas as mulheres brasileiras e decretou que Simone Tebet e Soraya Thronicke não poderão apoiá-lo num 2º turno bastante provável. Imagine, elas apoiando o candidato que as agrediu vilmente num debate do 1º turno?

A coordenação da campanha de Jail luta para ganhar votos entre as mulheres que não se declaram de esquerda ou de direita. Foi por isso que trouxeram a primeira dama para o centro da campanha. E o que faz Jail no debate? Ataca as mulheres! Resta a Tebet & Thronicke apoiar Lula num bem provável 2º turno ou cuspirem em suas biografias que mal começam a escrever.

Prova que Jail perdeu é a pesquisa Datafolha, feita enquanto rolava o debate, mostrando que ele teve a pior avaliação entre indecisos ou que pensam votar em branco. Se o debate é feito para convencer quem ainda não se decidiu, Jail perdeu feio.Parte inferior do formulário

Fala-se que Lula estava muito calmo, que não bateu nos adversários. É que muitos assistem aos debates como quem vê a Fórmula 1, torcendo para ter um acidente envolvendo vários pilotos. Ganha o debate quem consegue converter mais votos dos indecisos e isso só saberemos com pesquisas. Ao contrário da sabatina no Jornal Nacional, Lula não estava num de seus melhores dias. Acontece! Mas, ele acertou em não aceitar chafurdar na lama bolsonarista. Poderia ser melhor, mas Lula fez o jogo correto que é defender o legado dos seus dois governos.

De tanto ouvir avaliações pessimistas, me senti como se tivesse assistido apenas ao debate entre candidatos à presidência de Saturno. É que eu vi um Lula propositivo. Ouvi bem ele falar da pandemia, do orçamento secreto e de que vai quebrar o sigilo de 100 anos se for eleito. Falou de economia, emprego, fome, educação, saúde e do que se fez em seus governos. Na questão da corrupção, Lula fez o que precisa ser feito – mostrar tudo o que seus governos fizeram contra a própria. É que as pessoas parecem querer que Lula fique de joelhos e peça desculpas pelo mensalão. Um dos melhores momentos de Lula foi quando Soraya Thronicke lhe disse que não viu as melhorias que o PT fez no Brasil. Ele respondeu: “a senhora não viu, mas seu motorista e sua empregada doméstica viram”. É sobre isso que importa um debate!

Thronicke parecia apresentar um desses programas da TV aberta onde se investiga a vida íntima das pessoas. Ela me fez lembrar Guilherme Afif  Domingos com aquela história do imposto único. Quando um candidato só fala em imposto único é porque não tem coisa melhor para dizer. Felipe D´Avila foi a boçalidade expressa em suas cores mais fortes. Só não perdeu mais do que Jail, porque não tem o que perder. Mas, como Jail, deixou bem claro a quem e porque serve. Execrável!

Como não tem o que perder, Tebet mandou ver. Seu melhor momento foi quando enfrentou olho no olho a misoginia mal caráter de Jail Bozo. A direita limpinha deve estar bem orgulhosa de sua filha mais nova. Ciro Gomes fez o papel de 5ª coluna de sempre. Foi o que mais explorou as fragilidades de Jail. Seu melhor foi quando disse que Jail corrompeu suas ex-mulheres e seus filhos. Claro, bateu em Lula. A questão é o que fará Ciro no 2º turno? Apoiará Lula, Jail ou irá para Paris?

Gilbergues Santos Soares   Historiador e cientista político e professor do Departamento de História da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB). Especialista em História do Brasil República, com ênfase na ditadura militar e em democracia, suas instituições e em nossa cultura política pretoriana

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