Ao contrário do que diz Bolsonaro, seu governo é o mais corrupto da história

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Ao contrário do que diz Bolsonaro, seu governo é o mais corrupto da história

Corrupção não se limita ao clássico desvio de dinheiro público, para cujo combate o Brasil dispõe do sistema criminal de justiça mais caro do mundo. Outras modalidades de corrupção assolam atualmente o país

13 de outubro de 2020

Corrupção: “Ação ou efeito de adulterar o conteúdo original de algo. Ação ou resultado de subornar, de oferecer dinheiro a uma ou várias pessoas, buscando obter algo em benefício próprio ou em nome de outra pessoa; suborno.” (Dicionário Online de Português)

Quando Bolsonaro afirma que a Lava Jato acabou porque em seu governo não há corrupção, ele, no afã de proteger os políticos do Centrão e seus filhos encalacrados na justiça, para variar, sabota a verdade factual e exerce sua monumental ignorância. Tudo de olho na eleição de 2022.

Tirante a piada de mau gosto segundo a qual o bolsonarismo é impermeável à corrupção – Queiróz, cheques para a primeira-dama, coleção de imóveis da família comprado com dinheiro vivo, promiscuidade com milicianos,  rachadinhas e patrimônio do clã muito além de sua renda que o digam-, é possível listar sem esforço dez motivos que atestam que o governo Bolsonaro é o mais corrupto da história do Brasil.

Antes, vale repetir uma das definições do dicionário para o verbete corrupção: “Ação ou efeito de adulterar o conteúdo original de algo.” Ou seja, corrupção não se limita ao clássico desvio de dinheiro público, para cujo combate o Brasil dispõe do sistema criminal de justiça mais caro do mundo. Outras modalidades de corrupção assolam atualmente o país.

1) Seguidos atentados do presidente da República, através de ações, gestos, palavras e omissões, contra o regime democrático e as instituições da República.

2) Postura genocida do chefe do governo ante a maior crise sanitária em 100 anos, desdenhando da doença, incentivando aglomerações, debochando do isolamento social, fazendo pouco caso dos equipamentos de proteção e desrespeitando os mais de 150 mil mortos e seus familiares.

3) Destruição, “passando a boiada”, dos mecanismos institucionais de proteção do meio ambiente por parte do governo e favorecimento da atuação impune de grileiros, madeireiros, garimpeiros ilegais e toda sorte de predadores de florestas e biomas. Estímulo às queimadas que ameaçam o futuro do planeta.

4) Transformação do Brasil em pária internacional, rompendo com a tradição multilateralista do Itamaraty, voltada para o diálogo, a paz e o respeito ao princípio da não ingerência em assuntos de outros países.  A espinha curvada aos interesses mais anticivilizatórios dos EUA de Trump manchou  a elogiável trajetória da diplomacia brasileira.

5) Desmonte das políticas públicas e sociais, que tem como consequência a penalização dos que mais precisam da proteção do Estado. Desnecessário detalhar aqui a ação deletéria do governo Bolsonaro neste quesito.

6) Nomear energúmenos e despreparados, quando não nazistas assumidos, para gerir a política cultural do país. Vistos como inimigos pelo governo neofascista, os artistas lutam em defesa da arte e para sobreviver ao rolo compressor obscurantista.

7) Presença de uma reacionária fanática do calibre de Damares Alves à frente do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos. Adversária ferrenha da causa da emancipação das mulheres, Damares tem como objetivo central não reconhecer e solapar a promoção dos direitos humanos.

8) Esquartejamento da Petrobras, empresa que é o maior patrimônio do povo brasileiro. A venda das subsidiárias da petroleira, agora com o respaldo lesa pátria do STF, abala um dos pilares fundamentais da nação, que é sua soberania.

9) Alçar um negro  que odeia os negros à condição de presidente da Fundação Palmares. A última do capitão do mato Sérgio Camargo foi excluir a deputada Benedita da Silva da lista de personalidades negras da fundação.

10) Povoar o Poder Executivo, de natureza essencialmente civil em todas as democracias, de militares, em clara afronta às premissas republicanas.

Bepe Damasco

Jornalista, editor do Blog do Bepe

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