Uma reunião escatológica, um governo militarizado e um Estado acovardado, por Francisco Celso Calmon

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24/05/2020

Uma reunião escatológica, um governo militarizado e um Estado acovardado.

Por Francisco Celso Calmon

Vinte e cinco membros de um governo sem empatia com o povo brasileiro, sem qualquer sentimento de compaixão e preocupação com a pandemia que dilacera corpos e ceifa vidas, deram demonstração de que seus desígnios passam ao largo da proteção à vida dos brasileiros.

Um presidente desequilibrado e com mania de perseguição mostrou ao Brasil que está preocupado com a segurança sua, de seus familiares e amigos, e não com a situação do povo.

Horas infrutíferas de uma reunião de todo o escalão superior do governo federal, na qual a pandemia não mereceu qualquer preocupação, e sim o como aproveitar a tragédia para burlar o princípio da transparência.

Ricardo Salles: “presidente, vamos aproveitar que a imprensa tá de olho no covid pra fazer as mudanças na legislação e avançar na questão da Amazônia”.

Guedes, o ministro mais pernicioso ao patrimônio nacional, continua com a sua obsessão em privatizar tudo, na contramão do mundo e da realidade que mostrou que o mercado não resolve nenhum tipo de crise, e sim um estado forte.

A ministra Damares precisa ser recolhida imediatamente para tratamento psiquiátrico, pelas suas taras, o quanto antes, e aproveitar para estudar um pouco de direito, para não fazer ameaças vãs a governadores e prefeitos.

O ministro da educação deveria ter saído preso da reunião ao declarar ódio aos povos indígenas, contrariando mandamento constitucional, e chamar a todos que contrariam o governo de vagabundos e que mereciam estar presos a começar pelo STF (disse ele: eu por mim colocava todos esses vagabundos na cadeia, começando pelo STF). Esse ministro ignóbil praticou, com poucas frases, pois mais não disse, crimes de injuria e de preconceito e discriminação racial. Por que o Moro não lhe deu voz de prisão?

Não foi uma sexta feira 13, mas pareceu um filme de horrores o que assistimos do vídeo da reunião ministerial ocorrida há um mês atrás. Palavrões e ofensas a governadores, prefeitos e ameaças inclusive de armar seus correligionários, a quem o sociopata do planalto chama de seu povo.

A reunião mostrou que não há unidade programática e nem comportamental do ministério, entre si e com o presidente.

Foi uma reunião na qual o PR demostrou estar se sentindo pressionado, acuado, encurralado e sozinho, pelas críticas que recebe e quer reação uníssona do seu ministério. Só faltou usar o brado do Collor: não me abandonem…não me deixem só.

Paulo Guedes está em escaramuça às claras com o chefe da casa civil e pressionando o presidente do Banco do Brasil para a privatização do banco o quanto antes. E como o presidente o coloca como um superministro, acaba por todos temerem e evitam discordar dele. Um governo onde só há duas vozes: a do Bolsonaro e a do Guedes.

Como prova da acusação do Moro, não achei substantiva, por derivação, por ilação, sim. Mas a reunião foi prenhe de infrações administrativas e delitos à honra.

A Vazajato fez revelações mais graves e o resultado foi pequeno diante das denúncias dos ilícitos praticados pela Lava Jato. Mas a Globo não dava cobertura jornalística e, no caso atual, a Globo está fazendo de cada vírgula um ponto na busca de fortalecer o Moro. E pode se perder – por isso, se focar no modo de ser do presidente e do bolsonarismo irá contribuir para que, de uma forma ou outra, legítima e legal, Bolsonaro seja defenestrado da presidência do Brasil.

A Câmara federal é o poder que representa a população brasileira. Todos os deputados são representantes do povo, e devem legislar e fiscalizar o Executivo e, em nome dos seus eleitores, devem proteger os interesses do povo. Não foram eleitos para cumprir um programa de governo, como foram o presidente e o vice, os governadores e os prefeitos: cabe aos deputados estarem sintonizados com os anseios da população.

Os anseios populares, numa curva ascensional, são pelo Fora Bolsonaro. O presidente da Câmara não pode virar as costas a essa demanda.

Rodrigo Maia se continuar a não acolher alentados pedidos de impeachment, ficará para a história como cúmplice número um de todas as tragédias, sanitária, econômica e política, que o governo tem infligido ao povo brasileiro.

A pandemia da Covid-19 mostrou o pandemônio que virou o país. O vídeo envergonhará o Brasil no exterior e desmotivará turistas e investidores.

* Francisco Celso Calmon é Administrador, Advogado, Coordenador do Fórum Memória, Verdade e Justiça do ES; autor dos livros Sequestro Moral E o PT como isso?(1997) e Combates pela Democracia (2012), e autor de artigos nos livros A Resistência ao Golpe de 2016 (2016) e Comentários a uma Sentença Anunciada: O Processo Lula (2017).

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