65.602 Assassinatos em 2017. Matança atinge mais negros e jovens. Como será agora?

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65.602 Assassinatos em 2017. Matança atinge mais negros e jovens. Como será agora?

5 de Junho de 2019

Por Ricardo Kotscho, para o Balaio do Kotscho e para o Jornalistas pela Democracia–  

Antes mesmo do governo da morte do capitão Jair Bolsonaro liberar armas e munições para toda a população, o Brasil bateu novo recorde de mortes violentas em 2017.

Os alvos preferenciais desta verdadeira guerra civil não declarada são negros, jovens e nordestinos, segundo dados do Atlas da Violência 2019 do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgados nesta quarta-feira.

Entre 2007 e 2017, o assassinato de negros cresceu dez vezes mais do que o de não negros (brancos, amarelos e indígenas).

Das 65.602 vítimas desta matança, 75,5% são negras, a maior proporção da última década. A taxa de mortes entre os negros chega a 43,1 por 100 mil habitantes, enquanto a de não negros é de 16.

No mesmo período, a morte violenta de jovens de 15 a 29 anos aumentou 38%, atingindo 54% do total de homicídios, embora corresponda a apenas 25% da população brasileira.

Mata-se mais nas regiões norte e nordeste, onde a taxa de homicídios aumentou 68% nestes dez anos, saltando para 48,3 vítimas por 100 mil habitantes (a média nacional aumentou para 31,6).

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Ao contrário do que se pode imaginar, não foi a crise econômica a principal causa do aumento do número das mortes violentas, como explica o economista Daniel Cerqueira, coordenador do estudo:

“Ele tem a ver com o crescimento da renda no país naquele período, porque circulação de dinheiro atrai mercados ilícitos, principalmente o de drogas, e tem também a ver com a guerra entre ações do crime organizado”.

Pode-se imaginar o que vai acontecer daqui para a frente, quando todo mundo poderá andar armado e as forças de segurança estarão livres para matar se estiverem sob forte emoção, como prevê o pacote anticrime de Sergio Moro.

O estudo do Ipea e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostra que o crescimento nos registros de assassinatos no Brasil alcançou um patamar recorde em 2017: 179 casos a cada 24 horas.

Mas pode ficar pior: todas as medidas na área de segurança adotadas até aqui pelo governo Bolsonaro, como as anunciadas na terça-feira ao afrouxar as leis de trânsito, tendem a levar o pais a bater novo recorde este ano, como se o país estivesse em guerra permanente.

Entramos na fase do salve-se quem puder do faroeste bolsonariano em que só vale a lei do mais forte.

Vida que segue (por enquanto).

 

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