Comandante do Exército prega nacionalismo econômico e defende Ministério da Amazônia

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De: Pátria Latina

Postado em 01/02/2018 9:56

Comandante do Exército prega nacionalismo econômico e defende Ministério da Amazônia

ATAQUE FRONTAL AO NEOLIBERALISMO

O general Eduardo Villas Boas, comandante do Exército, proferiu palestra no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro em que defendeu projeto de desenvolvimento nacionalista com ênfase na indústria de defesa, verdadeira cadeia produtiva com poder de disseminar avanços científicos e tecnológicos de vanguarda para toda indústria nacional, proporcionando agregação de valor ao produto brasileiro e formação profissional de qualidade. No seminário intitulado “Brasil: Imperativo Renascer!”, organizado pela Editora Insight e divulgado pelo site Conjur, o comandante defendeu papel ativo das Forças Armadas na América do Sul, demanda essa feita pelos próprios militares sul-americanos, em especial, os argentinos, dada a importância geoestratégica e geopolítica do território nacional.

A integração econômica continental, como mandamento constitucional, exige, por sua vez, atenção especial para a Amazônia. Faz-se, segundo ele, necessário um Ministério da Amazônia, visto que há, na América do Sul, nove regiões amazônicas, cujas características são complementares. Exige-se, portanto, coordenação político estratégica, em meio ao mundo globalizado, que alimenta interesses alienígenas na região, cujo ativo, só no território nacional, é estimado em 23 trilhões de dólares.

O general discorre sobre diversos temas em sua importante palestra. Sobretudo, seu pensamento contrasta, visivelmente, com a orientação econômica neoliberal comandada pelo governo ilegítimo Temer, sintonizada com o programa Ponte para o Futuro, cujas diretrizes, dadas pelo Consenso de Washington, são intrinsecamente antinacionalistas, pautadas na supressão de direitos econômicos e sociais dos trabalhadores, bem como acelerada desnacionalização de ativos nacionais, cujas consequências aumentam a insegurança nacional, bem como afeta de morte a soberania brasileira no cenário internacional. Veja abaixo o que disse o General, sem nenhuma repercussão na mídia oligopolizada golpista(CF).

IDEOLOGIAS ENGANOSAS

“Todo problema no país hoje tende a tornar-se uma ideologia. Quanto mais ambientalismo, mais problemas ambientais temos. Quanto mais indigenismo, coitados dos nossos índios, mais são relegados ao abandono. Quanto mais luta contra o preconceito racial, mais racialismo. Quanto mais luta ou quanto mais se discute as questões de gênero, mais preconceito. Surge, por incrível, a intolerância religiosa.”

“Temos 80% da Amazônia preservada e admitimos levar lições de países que têm 0,3% das suas florestas originais. A média mundial de preservação das florestas mundiais é de 25%, aproximadamente. A instrumentalização da ideologia ambiental visa proteger o mercado agrícola dos países que, todos somados, não dispõem da área agricultável que o Brasil tem.”

DEFESA NACIONAL

“Depois da queda do muro de Berlim, emblematicamente, marco do fim da Guerra Fria, passou a prevalecer nos países uma visão sistêmica de defesa. Ela deixou de ser preocupação exclusiva dos militares e passou a exigir a participação de toda a sociedade em seus mais variados segmentos.”

“A estrutura de defesa de um país será tão mais robusta quanto mais forte for a participação da área econômica, das empresas, da área de ciência e tecnologia, da área acadêmica, do poder político e assim por diante.”

“Aos militares foi exigido que eles não se restringissem apenas a se preparar para fazer face ao inimigo. Hoje, a visão consagrada no mundo é a de que as Forças Armadas devem estar em condições de atender qualquer demanda da sociedade. E não há países em que isso não se aplique.”

“Falar de defesa no Brasil, da inserção da defesa de um projeto nacional, é difícil, tem pouco apelo, porque não há no país uma percepção de ameaças à soberania e à integridade, nem por partes da população nem por parte das elites dirigentes. Pessoas dos mais variados setores da sociedade não estão preocupadas com ameaça da integridade nacional.”

“O tema da defesa sobrou, apenas, para os militares. Como consequência, tem-se dificuldade de alocação de recursos adequados para estrutura de defesa. Defesa não dá voto. Daí a dificuldade de o tema entrar no debate eleitoral para a Presidência da República.”

“Temos, no Brasil, um passivo geo-histórico. Temos metade do nosso território não ocupado e não integrado à dinâmica do desenvolvimento nacional. As consequências disso vão além de aspectos concretos. O território é a base da nacionalidade.[Porém], não temos sentimento de nação totalmente consolidado.”

“O general Heleno diz que o Brasil é como um superdotado num corpo de adolescente, não tem noção do seu território, não tem a percepção da importância e talvez daí decorra o fato de sermos tão voltados para dentro de nós mesmos.”

LIDERANÇA SUL-AMERICANA

“A consequência disso é nossa dificuldade de assumir uma responsabilidade inexorável: exercer a liderança na América do Sul. Para exercer a liderança, é necessário primeiro demonstrar capacidade. Segundo, vontade; e terceiro, ser capaz de inspirar e de mostrar um caminho para o futuro. É impressionante quando vemos um militar argentino reclamar de nós, por não assumirmos a liderança na América do Sul.”

” Os países sul-americanos sabem que a alternativa que eles têm é de se agregar a um grande projeto de desenvolvimento do Brasil. Caso contrário, estaremos sempre periféricos. Não há absolvição para isso. Nos falta esse sentimento de um projeto nacional.”

“Quando vejo essas discussões, em relação à crise que nós vivemos e a busca de caminhos, a minha impressão é que elas são superficiais. Carecem de profundidade, de uma multidisciplinariedade necessária para a mudança da nossa realidade.”

IDEOLOGIA DESENVOLVIMENTISTA

“Em relação a um projeto nacional, o Brasil, pela sua dimensão, pelas características que tem, não pode prescindir de uma ideologia que lhe dê um caminho. Não estou me referindo a ideologia política.”

“O Brasil foi, da década de 1930 à década de 1950, o país do mundo, ou um dos países do mundo, que mais cresceu. Havia uma ideologia de desenvolvimento, um sentido de projeto, um ufanismo. Na década de 1960, vivemos o momento Juscelino, Brasília sendo construída, aterro do Flamengo, aterro de Copacabana, campeão do mundo de futebol, campeão do mundo de basquete, Maria Esther Bueno no tênis, Eder Jofre no boxe, enfim, havia um ufanismo e um otimismo muito grande. Éramos o país do futuro.”

“Cometemos o erro de, durante a Guerra Fria, permitir que a linha de fratura passasse por dentro e dividisse nossa sociedade. Foi aí que perdemos o sentido de coesão, perdemos essa ideologia do desenvolvimento, sentido de projeto, ficamos um país à deriva.”

 

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